Perder Sandro Tonali jamais esteve nos planos do Newcastle, mas há uma aceitação crescente dentro do clube de que os £100 milhões pagos pelo Tottenham pelo meio-campista italiano são o combustível necessário para financiar o que pode ser a janela de transferências mais ambiciosa da era Eddie Howe. Com até seis a oito contratações esperadas e o novo diretor esportivo Ross Wilson assumindo seu primeiro verão em St James' Park, os Magpies estão diante de um momento de reinvenção real - não apenas retórica.
A missão está clara: trazer jogadores jovens e famintos, e promover um reset completo do elenco após uma temporada de dificuldades que expôs fragilidades estruturais no grupo. A receita combinada das vendas de Anthony Gordon e Tonali aumenta consideravelmente a capacidade do clube de fechar os negócios que deseja. O avanço já é perceptível: Bazoumana, contratado do Hoffenheim por cerca de £42 milhões, é o primeiro sinal concreto de que as rodas começaram a girar. Curiosamente, esse valor está próximo do teto que o Newcastle pretende operar neste mercado - o que representa uma mudança considerável em relação às temporadas anteriores, quando o clube movimentava entre £60m e £80m por reforço. Para quem acompanha o futebol europeu e as dinâmicas de jogadores como Bruno Guimarães no cenário internacional, veja detalhes sobre a defesa de Cancelo a Ronaldo e Neymar, um exemplo de como a presença de grandes astros ibéricos e sul-americanos na elite europeia continua a moldar debates dentro e fora de campo.
O nome que agora domina as conversas em Newcastle não é o de quem chega, mas o de quem pode sair. Bruno Guimarães, capitão e coração do time, é o alvo declarado do Arsenal, que, segundo informações do mercado, já explorou as condições de uma transferência por meio de intermediários e teria feito uma oferta informal que não satisfez as exigências do clube. É difícil atribuir um preço a alguém como o brasileiro. Ele não é apenas um jogador de qualidade - é o símbolo do que o Newcastle se tornou, o elo entre o vestiário e a arquibancada. Ao contrário de Tonali, cujos representantes demonstraram maior apetite pela saída, a percepção interna é de que Bruno, mesmo aberto a avaliar suas opções, seguiria disposto a lutar pelo projeto no Nordeste da Inglaterra. Seria uma enorme surpresa vê-lo partir neste verão. O Newcastle não quer vendê-lo - mas, como em qualquer negócio do futebol moderno, todo jogador tem o seu preço.
Quais posições estão na mira dos Magpies?
Com as atenções voltadas para quem pode sair, o clube também trabalha em múltiplas frentes para reforçar o elenco. A saída de Kieran Trippier deixou uma lacuna no lado direito da defesa que precisa ser preenchida. No gol, mesmo com a chegada de Ewen Jaouen - tratado como investimento de longo prazo -, o Newcastle busca um arqueiro com mais experiência imediata. James Trafford, que escapou para o Manchester City na janela anterior, segue no topo da lista de prioridades. Outro lateral esquerdo para dar suporte a Lewis Hall também é considerado, embora os rumores de saída do próprio Hall - com interesse do Manchester United - pareçam ter esfriado.
No meio-campo, Johan Manzamabi, do Freiburg, emerge como o candidato mais próximo do perfil de Tonali: um volante com qualidades defensivas e capacidade de construção. Para o ataque, além de Touré como substituto natural de Gordon na ponta esquerda, o clube busca um centroavante que entregue gols com regularidade. Yoane Wissa e Nick Woltemade custaram mais de £120 milhões combinados, mas ainda não corresponderam às expectativas. Will Osula, que terminou a temporada em boa forma, deve ganhar espaço na briga pela posição de número 9. O recado interno é de que o Newcastle quer um atacante que resolva - e não apenas ocupe o espaço.
Frustrações iniciais e a pressão sobre Wilson
O novo diretor esportivo Ross Wilson assume a janela num momento de aprendizado acelerado. No verão passado, com a saída repentina de Paul Mitchell, foi Eddie Howe e seu sobrinho Andy - cujo cargo evoluiu de assistente de recrutamento para executivo sênior de futebol - quem tocou as negociações. Agora é a vez de Wilson provar seu valor. As primeiras semanas, porém, não foram isentas de tropeços: o clube perdeu Zadick Yohanna e Victor Munoz para concorrentes que agiram mais rápido. O caso de Munoz reavivou a memória amarga do verão anterior, quando o Liverpool se antecipou ao Newcastle na corrida por Hugo Ekitike antes de o clube fechar com Alexander Isak. O problema não é a identificação de talentos - os alvos perdidos foram para clubes grandes e se saíram bem. O problema é a execução. Fechar os negócios no tempo certo é a habilidade que Wilson precisa demonstrar para reconquistar a confiança da torcida.
Howe segue comprometido mesmo sob restrições financeiras
O contexto financeiro adiciona uma camada extra de complexidade. O Newcastle recentemente firmou um acordo de regulação com a UEFA por violações às regras do Squad Cost Ratio (SCR) e às normas de lucros e sustentabilidade do organismo europeu, pagando uma multa de aproximadamente £5 milhões. O SCR da UEFA limita os clubes a gastar 70% da receita - comparado aos 85% permitidos pela Premier League -, e o clube continua obrigado a respeitar esse teto mais rígido mesmo fora das competições europeias, como consequência do acordo firmado. Howe não tem escondido sua insatisfação com as limitações impostas pelas regras financeiras, mas a diretoria mantém o suporte integral ao treinador, que encerrou um jejum de 70 anos sem títulos e conduziu o clube a duas campanhas na Liga dos Campeões. O desafio agora é recomeçar - com um elenco renovado, dentro do orçamento disponível, e com a pressão de quem sabe o que é possível quando o projeto funciona. Parece, de fato, o fim de um ciclo e o início de outro.